27 de janeiro de 2007

Desbravadores do ABC!!!

Segunda parada: Os Amigos do Marcão!

Texto: Sandro Alves e Fábio Gomes
Fotos: Sandro Alves




Nesta semana, os Desbravadores do ABC foram longe e visitaram aquele que talvez seja o ponto mais distante do distrito central do município de Santo André*: o Recreio da Borda do Campo.
Formado em 1976, o Recreio está localizado em área de manancial, logo após o Clube de Campo ABC e é um bairro tranqüilo, ladeado por um braço da Represa Billings. Chega-se nele por algumas travessas da Av. Mico Leão Dourado, vias que constituem o único caminho de saída do loteamento por terra, já que do outro lado está a divisa com Ribeirão Pires (pela represa). Todas as ruas do Recreio da Borda do Campo, a começar pela sua principal, a Rua Suçuarana, não possuem asfalto, devido às normas ambientais da área de manancial. Os nomes de todas elas estão relacionados a pássaros nativos brasileiros (Sanhaço, Garça Branca, Cuitelão e outras).
A área do Recreio é de 353 hectáres e sua população é de aproximadamente 8000 pessoas. O perfil de seus moradores é bem homogêneo, já que o local é habitado principalmente por famílias que procuram fugir dos altos aluguéis e que buscam realizar o sonho da casa própria.
Por se tratar de uma área de preservação, uma parte do bairro não tem saneamento básico nem água encanada, cabendo aos moradores “improvisar” o seu abastecimento com poços artesianos ou caminhões-pipa, que freqüentemente estão no bairro. Com os rumores da construção do Trecho Sul do Rodoanel, que cortará a região, e as obras próximas de seu início, muita coisa pode vir a mudar em breve.

O Bairro:


Um lugarejo bastante agradável e acolhedor. Com essas palavras, talvez, faça-se a melhor maneira de classificar este bairro, que com sua tranqüilidade ímpar e seu povo receptivo de certa forma nos encantou. As ruas de terra batida, algumas pedregulhadas para facilitar o acesso de veículos nos trechos mais íngremes, são cercadas de muito verde e muito próximas da represa, o que confere à região um clima todo especial.


Com poucas moradias e raros comércios, o silêncio impera nas ruas cascalhadas. O som dos pássaros é convidativo e só é quebrado quando passa algum ônibus das duas linhas que servem o bairro (AL 113 e AL113R) e fazem o transporte dos moradores entre o Recreio e o Terminal Vila Luzita, onde, se quiser, o passageiro faz a integração e pega um outro coletivo que o leva até a Estação da cidade. Não sabemos se é por causa da proximidade com a represa, mas reparamos num fenômeno natural que, possivelmente, nem os meteorologistas podem nos explicar com certeza: enquanto caía uma chuva fraca e insistente na Vl. Luzita, lá o sol brilhava como num típico dia de verão!



Você, que lê estas nossas andanças e descobertas, não ache que a vida de um desbravador é um mar de rosas. Por ser ela cheia de percalços e situações embaraçosas, enquanto descansávamos e esperávamos o ônibus para voltar ao centro da cidade, resolvemos entrar num pequeno estabelecimento pra tomar alguma coisa que nos ajudasse a refrescar um pouco.


Sentados na mesa, conversando sobre as impressões do bairro, fomos interpelados por dois senhores muito simpáticos que estavam no bar e passaram a conversar conosco. A primeira pergunta que nos foi feita veio de forma direta: “Escuta, vocês são vendedores de convênio?” Meio sem jeito em falar o nosso real motivo de estar ali, nossa primeira invenção foi dizer que ali estávamos com o intuito de visitar um amigo que morava pelas redondezas. Perguntaram-nos onde, respondemos que na Rua Sanhaço, e logo um deles olhou para um de nós e disse:”Ah, eu logo percebi... Vocês são amigos do Marcão, né? O moço aí do seu lado é até bem parecido com ele!”. Com uma tremenda cara de tacho e mais sem graça ainda, achamos por bem concordar, fazer uma média e rezar pra que o tal “Marcão” não chegasse lá de sopetão e nos desmentisse. Situação periclitante!
Independentemente do “mico”, não temos do que reclamar. Além do ambiente acolhedor, fomos muito bem tratados pelos senhores e voltamos para casa sãos e salvos!


O Trajeto:

A expedição teve início no centro de Santo André, ao lado da Estação. Como na pauta constava apenas o Recreio, que é um bairro que não oferece saídas senão a volta pelo mesmo lugar, decidimos alongar um pouco o nosso “turismo”, para que o percurso não ficasse muito simples. Pegamos um ônibus da linha TR-141 e fomos até o Term. Vl.Luzita, passando pelo centro de Sto.André e pelas Vilas Pires, Vitória e Junqueira. Já dentro do terminal, pegamos um coletivo da linha AL-113 rumo ao Recreio da Borda do Campo, passando pelo Jd. Sto.André, Parque do Pedroso, Av. Mico Leão Dourado (sentido Clube de Campo ABC) e Rua Suçuarana, até nosso destino final. A volta se deu num ônibus da mesma linha, que nos trouxe de volta ao Terminal Vila Luzita. O último ônibus a ser pego foi o B-47, que nos trouxe para o centro da cidade passando pelo Jd. Santo André, Vl. Suíça, Vl. Tibiriçá, Vl.Pires e, finalmente, passando ao lado da estação e fazendo com que concluíssemos nossa viagem.
Os “Desbravadores do ABC” voltam semana que vem, mostrando as surpresas que delineiam pelos cantos mais longínquos de nossa região, aguarde!


Referências:
Linhas TR-141 (Term.Vl.Luzita/Est. Sto.André), AL-113 (Recreio da Borda do Campo/Term.Vl.Luzita via Rua Suçuarana) e AL-113R (Recreio da Borda do Campo/Term.Vl.Luzita via UBS)- Expresso Guarará
Linha B-47 (Term.Vl.Luzita/Vl. Palmares)- Viação Padroeira
*Quando dizemos ser o Recreio um dos pontos mais afastados do centro de Santo André e pertencente ao distrito central, excetuamos Paranapiacaba e Parque Andreense, que por estarem fora da mancha urbana serão alvo de uma matéria especial em breve.

Os Desbravadores do ABC e o Grupo ABC BUS fazem e recomendam: “Conheça a sua cidade!”

Críticas, reclamações ou sugestões de pauta? Envie para abcbus@terra.com.br

20 de janeiro de 2007

Os Desbravadores do ABC!!!

Dois amigos, uma idéia e o desejo de desbravar o ABC. Foram esses três ingredientes os responsáveis pelas viagens, aventuras e curiosidades que serão apresentados nas matérias desta série especial de reportagens.

Depois de estudados os roteiros e a afirmação de dois gostos em comum – os ônibus e as estradas de terra – iniciou-se um verdadeiro rally pelas localidades mais ermas das sete cidades, os pontos mais inexplorados e menos conhecidos foram focados como locais a serem desbravados. Que segredos escondem? Estava lançada a pedra fundamental do Projeto “Desbravadores do ABC”.

De início como um hobby, trata-se ainda de uma versão beta, experimental... Alguns itinerários já foram traçados e percorridos – todos de ônibus – cruzando trechos de mata nativa e manancial onde as empresas de transporte urbano alcançam. Nisso estão sendo avaliados, entre outras coisas: as condições do lugar e das pessoas, os transportes, as belezas que cada lugar esconde e as carências típicas de cada região.

Dentre fotos de ônibus, de paisagens e de fatos, os Desbravadores do ABC chegam aos extremos das cidades com muito interesse e determinação. Acompanhe a seguir nossas aventuras, “presepadas” de quem realmente ama as sete cidades e aposta que o maior patrimônio a ser desvendado está muito próximo de nós. Conhecer o lugar onde se vive é um exercício diário, e embrenhar-se pela região é conhecer um pouco mais de nós mesmos e reconhecer nosso povo, nossos lugares e nossa cultura.


Primeira parada: Um dia no Acampamento!
Texto: Sandro Alves e Fábio Gomes
Fotos: Sandro Alves



Acampamento dos Engenheiros. O nome pode até sugerir um lugar alegre, cheio de recreações e atividades, mas não é bem isso o que a gente encontra lá... Embora realmente haja o clube, área pertencente a uma entidade de classe representante dos engenheiros paulistas, o cidadão comum que for pra lá vai encontrar apenas mato, muito mato!
Por uma estrada que liga São Bernardo a São Paulo, cortando toda a região manancial conhecida como Grande Alvarenga e passando pelo município de Diadema, encontramos todo tipo de paisagem. A verdadeira estrada dos Alvarenga, no começo do século XX, iniciava-se onde hoje está a Rua Joaquim Nabuco em São Bernardo (rua do pronto-socorro, do supermercado Coop...) Dali ela seguia por onde está a Av. João Firmino e continuava, passando pelo meio das colônias ali existentes. Além desse trecho urbano, hoje, encontramos a estrada do Alvarenga com três denominações: Alvarenga em SBC (com um pequeno pedaço conhecido e chamado de Estrada Acampamento dos Engenheiros), Pedreira Alvarenga em Diadema e dos Alvarengas em São Paulo, subdistrito de Santo Amaro. Nestes três pedaços, pessoas caminham, animais passam e grandes multinacionais convivem com construções simples, como a casa sem reboco ou a borracharia com tapume de madeirite e sua placa pintada à mão.

Embrenhemo-nos por este paraíso, onde a tranqüilidade se faz presente e num raio de poucos metros pode-se observar coisas bastante curiosas para um lugar nesses extremos. Um condomínio fechado convive um barraquinho simples, meia dúzia de caminhantes convivem com jipes de último tipo e, quem sabe, qualquer transeunte comum pode deparar-se até mesmo com uma vaca, por que não?

O Bairro:
Nosso primeiro bairro de parada foi o Pq. Dos Químicos. Típico para o início de nossa expedição, trata-se de um bairro simples, como quase todos da região. O que nos chamou mais a atenção, sobretudo, foi um pequeno e simples motivo: o bairro é um dos poucos cortados pelo trecho sem asfalto da Estrada dos Alvarenga, que atualmente não deve chegar a 1,5km (infelizmente!) Com ladeiras íngremes e altamente esburacadas, chega a ser difícil imaginar como um carro consegue subir uma rua dessas, mas lá, quase tudo é possível. O bairro conta com 2 linhas de ônibus: uma que liga ao centro de SBC (05B) e outra que vai até o Pq. Dom Pedro(004), região central da cidade de SP.

O Pq. Alvarenga/Casa Fortaleza é um pouco mais desenvolvido do que o bairro anterior. Ainda é cruzado pela área asfaltada da Estrada dos Alvarengas (vocês podem até achar estranho, mas “fomos, voltamos e fomos de novo!”) e é próximo ao Jd. Laura, bairro periférico e, até certo ponto, conhecido. Margeado pela Represa Billings, tem suas ruas um pouco mais planas, embora algumas ainda sem calçamento, e um maior movimento de moradores. Tem-se dali uma vista até muito bonita, se olharmos para a Represa, embora em alguns pontos a poluição das águas seja evidente. O lugarejo conta, além das linhas do bairro anterior, com uma linha que liga ao Bairro de Rudge Ramos, em SBC(16), uma linha gratuita que vai até o Eldorado, na divisa com Diadema(05A).




O Acampamento dos Engenheiros, nosso destino principal, é um caso a parte! Aparentemente abandonado, com poucos moradores, comércio ou qualquer coisa do tipo, a denominação serve mais como ponto de passagem ou referência. Há poucos metros dali temos o Jardim Primavera/Pq. Jandaia, um condomínio residencial fechado, também margeado pela Represa Billings e com uma boa infra-estrutura, com entrada restrita apenas a moradores e acompanhantes, e o Parque Silvaplana, um condomínio também fechado com um clube de campo ao fundo. Uma outra coisa que nos chamou bastante a atenção foi a guarita do fiscal de ônibus: esperava-se, no mínimo, uma cabine feita em fibra de vidro ou alvenaria, como geralmente são as demais. Lá não: é apenas um pequeno barraco de madeira, bem precário...O bairro conta com 2 linhas de ônibus: uma gratuita que liga a Casa Fortaleza até o Eldorado, na divisa com Diadema(05A), e outra que vai até o Terminal Diadema(182).

O trajeto:
Saindo do centro de SBC, pegamos a linha municipal 05B-Pq. dos Químicos e fomos até o seu final. Passamos pela Via Anchieta, pelo Bairro Assunção, Jd. Cláudia, Jd. Thelma, Pq. Alvarenga até chegar ao nosso destino inicial.
Descemos no final, pegamos a linha gratuita 05A-Circular Alvarenga/Eldorado,passamos pelo Pq. dos Químicos, Pq. Silvaplana, Pq. Jandaia e fomos até o ponto final da linha intermunicipal 182, que liga o Acampamento dos Engenheiros ao Terminal Diadema.




Chegando lá, pegamos esse ônibus e fomos até o seu final, passando pelo Loteamento Porto Novo e entrando na Vila Paulina, já em Diadema. Passamos também pelo Terminal Eldorado, pela Pedreira, por um pedaço da Vila Guacuri, em SP, pelo Pq. Sete de Setembro, em Diadema novamente e seguimos até o Centro de Diadema.


Acompanhada por bons papos, surpresas, flashes e cervejas, esta foi a primeira matéria especial para a série de reportagens “Desbravadores do ABC”. Nosso objetivo maior, concatenando as atividades dos desbravadores ao Blog ABC Bus, é revelar o desconhecido para a maioria da população da região de uma maneira descritiva e descontraída, com ampla riqueza de detalhes, e sempre de ônibus!
A Equipe ABC BUS e os Desbravadores do ABC fazem e recomendam: CONHEÇA A SUA CIDADE, você vai se surpreender!


*Referências: Linhas 05A (Circ. Alvarenga/Eldorado),05B (Paço/Pq. Químicos) e 16 (Alvarenga/Rudge Ramos)-SBCTrans.
Linha 004- (Pq. Alvarenga/Pq. Dom Pedro) Viação Riacho Grande.
Linha 182- (Acampamento dos Engenheiros/Term.Diadema) Viação Imigrantes.


Semana que vem tem mais! Envie sua crítica ou sugestão de pauta para abcbus@terra.com.br